quinta-feira, 26 de setembro de 2013


Somos apenas um breve suspiro da eternidade,
O encontro do medo,
A piada da dor.
Somos apenas um punhado de desejos,
Um capricho do tempo,
O belo do horror.
Apenas e o suficiente...
Uma pitada de Deus, afogada num mar de amor.


[Daiane Matos M. Cruz]   

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Palavras malditas palavras


Assim vai me perdendo,
E eu vou me achando,
Entre palavras mal ditas,
Malditas palavras...
Eu só queria sumir,
No teu abraço.
Hoje em qualquer caminho
Que me leve pra longe.
Eu ainda estou no mesmo lugar,
Ainda dá tempo!
Mas você não vem...

Assim vai me perdendo,
E eu vou me achando,
Entre palavras mal ditas,
Malditas palavras...

[Daiane Matos M. Cruz]   

Mulher e poesia

Sem se preocupar com rimas,
Livre, é melhor viver,
Sem o apelo da simetria,
Eis um texto fleumático com harmonia, 
Prestes a nascer.
Ela quer a calma da brisa,
Que o vento a perdoe!
Está mais prosa que poesia,
A paz enfim, lhe abençoe.
Subjetiva vai vivendo,
Sem pressa nem correria.
Tendo em si, ainda que negando,
A essência da poesia.

[Daiane Matos M. Cruz]   

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Mania de poeta


Como definir o indefinível?
Certas coisas tornam a gramática indubitavelmente limitada.
Quantas coisas já ficaram sem explicação aparente...
Estas são as que mais nos alcançam - não saem da nossa mente.
Basta que o coração sinta,
Basta que a alma transmita,
Não há indefinível que um olhar sensível não entenda.

domingo, 1 de setembro de 2013

Allegro


Hoje a alegria me pegou e me jogou em seus braços,
Bailamos juntas!
Ela conduziu a dança e eu me deixei levar.
Pediu ao vento que tocasse uma canção alegre,
Me deu dois rodopios no ar.
Fiquei tonta.
Fechei meus olhos.
Sim, porque a alma precisava ver!
Ela me segurou de volta e eu pude sentir seu perfume,
Era doce como cheiro de flor e suave como a brisa da manhã.
Abri meus olhos com uma sensação de estarmos sendo observadas.
De fato, tínhamos plateia!
Era a vida sorrindo, satisfeita, a nos admirar,
Balbuciava algumas palavras que eu não podia entender.
Mas não me importei.
Com as mãos em meus ombros, a alegria me chamou à atenção novamente,
- Ei, não deixe a vida lhe distrair! - falou baixinho.
Eu concordei…nada mais importava, além de nós.
O som, o perfume, a dança...
Tudo estava perfeito.
A sensação era como a de degustar lentamente um bom vinho,
Enquanto escutamos nosso melhor disco tocar.

Despertei subitamente!

A música estava perto do fim.
Me desesperei, supliquei para que a alegria não largasse de mim.
Ela sorriu como criança, e com ternura me acalmou.
Disse que estaria sempre perto, jamais me deixaria só.
De repente, o sorriso cessou, olhando para mim, aconselhou:
- Não se engane, não tenho forma determinada, nem preço material...

Antes que terminasse de falar, a música acabou.
Olhamos-nos e seus olhos falaram mais que as palavras.
Prostradas, reverenciamos a vida,
Fomos aplaudidas de pé.

[Daiane Matos M. Cruz]


Um pouco da etimologia da palavra Allegro:
É uma palavra francesa, que significa: vivo. Designada a um movimento do Ballet. As qualidades mais importantes que se deve ter em mira num allegro são a leveza, a suavidade, o balanço e a vivacidade.